Embaixadora da China em Moçambique, Zheng Xuan, Aceitou Entrevista por Escrito ao Jornal Notícias
2026/06/02

No dia 1 de junho, o maior jornal de Moçambique, Notícias, publicou uma entrevista escrita concedida pela Embaixadora da China em Moçambique, Zheng Xuan, na qual apresentou os resultados da Visita de Estado do Presidente Daniel Francisco Chapo à China e o desenvolvimento das relações China–Moçambique. Segue-se o texto integral:

I. Como avalia as relações China–Moçambique?

A amizade tradicional entre a China e Moçambique atravessa a história e supera oceanos e montanhas. Já há mais de 600 anos, o navegador chinês Zheng He, durante as suas viagens marítimas de longo curso, chegou à atual cidade da Beira, capital da província de Sofala, e à Ilha de Moçambique. Não ocupou nenhuma terra, mas trouxe seda, porcelana e amizade, escrevendo o prelúdio dos intercâmbios amistosos entre os povos da China e de Moçambique.

Na era moderna, durante a luta de Moçambique contra o imperialismo e o colonialismo e pela conquista da independência nacional, o povo chinês tem estado firmemente ao lado do povo moçambicano, forjando uma profunda amizade indestrutível. No próprio dia da independência de Moçambique, em 25 de Junho de 1975, os dois países estabeleceram relações diplomáticas. Desde então,a China e Moçambique têm-se apoiado mutuamente, com base na confiança mútua, tornando-se um exemplo da amizade China–África e da cooperação Sul-Sul.

De 16 a 22 de Abril do ano corrente, S.E. Presidente Daniel Francisco Chapo, liderando uma delegação,fez a visita de Estado à China. O Presidente Xi Jinping e o Sr. Presidente Daniel Francisco Chapo concordaram em elevar as relações bilaterais ao nível de uma Comunidade com um Futuro Compartilhado China–Moçambique na Nova Era, tendo alcançado importantes consensos sobre uma série de questões estratégicas e de longo prazo, apontando a direção para o aprofundamento contínuo das relações bilaterais.

As duas partes emitiram uma Declaração Conjunta sobre a construção da Comunidade com um Futuro Compartilhado China–Moçambique na Nova Era e assinaram mais de 30 documentos de cooperação em áreas como a construção conjunta da Iniciativa “Cinturão e Rota”, a implementação da Iniciativa de Segurança Global, economia e comércio, intercâmbio cultural, saúde,meios de comunicação, parques nacionais e cooperação entre os governos locais, injetando um novo e forte impulso para o aprofundamento da cooperação mutuamente benéfica em diversos domínios.

Estamos confiantes de que, sob a orientação estratégica dos Chefes de Estado dos dois países, a China e Moçambique continuarão a consolidar a confiança política mútua, expandir a cooperação pragmática, intensificar os intercâmbios interpessoais e promover um bom início e progresso sólido na construção da Comunidade com um Futuro Compartilhado China–Moçambique na Nova Era.

II. Como avalia o significado da visita do Sr. Presidente Daniel Francisco Chapo à China?

Esta visita, como a primeira visita de Estado de um Chefe de Estado moçambicano à China nos últimos dez anos e a primeira visita do Sr. Presidente Daniel Francisco Chapo à China depois da investidura, tem um grande significado histórico. O Sr. Presidente Daniel Francisco Chapo foi também o primeiro Chefe de Estado africano a visitar a China este ano, o que demonstra a elevada importância que a China atribui ao desenvolvimento das relações com Moçambique, bem como a vontade comum de ambas as partes em dar continuidade à amizade tradicional e aprofundar as relações bilaterais. Ficamos satisfeitos em constatar que a visita foi plenamente bem-sucedida e amplamente elogiada por diversos setores de ambos os países.

Trata-se de uma visita de orientação estratégica. Os dois Chefes de Estado delinearam conjuntamente um grandioso plano para a Comunidade com um Futuro Compartilhado China–Moçambique na Nova Era. O Presidente Xi Jinping sublinhou que a amizade e a confiança mútua são características marcantes e vantagens políticas das relações China–Moçambique, e que o aprofundamento contínuo da cooperação amistosa corresponde às expectativas comuns dos dois povos e está em consonância com a tendência da cooperação reforçada entre os países do Sul Global. Ambas as partes devem dar continuidade às boas tradições, apoiar-se firmemente em questões relacionadas com interesses fundamentais e principais preocupações de cada parte, intensificar os intercâmbios entre governos, partidos políticos, órgãos legislativos e entidades locais, bem como reforçar a partilha de experiências de governação.

O Sr. Presidente Daniel Francisco Chapo expressou total concordância, salientando que a China é uma verdadeira amiga de Moçambique, reiterando o compromisso incondicional com o princípio de Uma Só China e o apoio à reunificação nacional da China, e manifestando a vontade de reforçar a solidariedade e aprofundar a cooperação com base no respeito e confiança mútuos, abrindo conjuntamente um novo capítulo na construção da Comunidade de Futuro Partilhado Moçambique–China na Nova Era. O Primeiro-Ministro Li Qiang e o Presidente do Comité Permanente da Assembleia Popular Nacional Zhao Leji reuniram-se respetivamente com o Sr. Presidente Daniel Francisco Chapo, trocando opiniões aprofundadas sobre a implementação dos consensos alcançados pelos Chefes de Estado e o aprofundamento da cooperação pragmática em vários domínios.

Trata-se de uma visita de continuidade histórica e de amizade. Desde a homenagem diante da estátua de bronze de Mao Zedong em Shaoshan, passando pela visita ao Museu da História do Partido Comunista da China, até à homenagem solene no Monumento aos Heróis do Povo em Pequim, a flor da amizade, cultivada na luta comum contra o imperialismo e o colonialismo, floresce ainda mais na nova era. Como afirmou o Sr. Presidente Daniel Francisco Chapo nas suas mensagens deixadas no Memorial de Mao Zedong e no Museu da História do Partido Comunista da China: “Mocambique guarda,com apreço, a amizade histórica e os laços de solidariedade que unem os nossos dois paises,forjados em momentos decisivos das nossas lutas pela independencia e continuamente reforçados na promoção do progresso,da paz e do bem-estar dos nossos povos. Que este legado de cooperação e fraternidade continue a florescer,guiado pelos ideais de respeito mútuo, beneficio recíproco e desenvolvimento partilhado.”

Trata-se de uma visita orientada para o desenvolvimento e cooperação. As economias dos dois países são altamente complementares, com amplas perspetivas de cooperação. Este ano marca o início do 15º Plano Quinquenal da China, que reflete a firme determinação do país em promover a abertura de alto nível e a cooperação mutuamente benéfica. O Presidente Xi Jinping destacou que a China está disposta a reforçar o alinhamento estratégico com Moçambique, inovar os modelos de cooperação, explorar novas vias de cooperação integrada entre infraestruturas, energia e recursos minerais, bem como desenvolver novos pontos de crescimento em áreas como agricultura, energias renováveis, economia digital e inteligência artificial, promovendo um desenvolvimento de alta qualidade e sustentável da cooperação bilateral.

O Sr. Presidente Daniel Francisco Chapo afirmou que pretende considerar a cooperação económica e comercial como uma prioridade para o futuro das relações bilaterais, estando disposto a aprofundar a cooperação em comércio, investimento, agricultura, energia, transportes e tecnologias de informação no âmbito da Iniciativa “Cinturão e Rota” e do Fórum de Cooperação China–África, bem como a intensificar os intercâmbios em cultura, educação e turismo.

Durante a sua estadia na China, o Presidente participou no Fórum Empresarial China (Hunan)–Moçambique e na Mesa Redonda de Investimento e Desenvolvimento China (Qinghai)–Moçambique, tendo testemunhado a assinatura de diversos documentos de cooperação entre os setores privados, abrangendo áreas como comércio, transformação digital e parques industriais. O Presidente visitou dezenas de empresas nas províncias de Hunan e Qinghai, onde inspecionou indústrias de fabricação de equipamentos mecânicos tradicionais e de alta tecnologia. Assistiu às demonstrações de escavadoras de fabrico chinês a enfiar uma agulha, empilhar taças e de minicarregadoras a “dançar”. Subiu a um manipulador frontal elétrico, operando pessoalmente o equipamento; conheceu produtos tecnológicos avançados nos domínios da medição elétrica e da gestão da eficiência energética; visitou oficinas automatizadas de processamento de produtos agrícolas e linhas inteligentes de produção de componentes fotovoltaicos. Expressou grande admiração pela capacidade de inovação e pela qualidade da manufatura chinesa. Visitou ainda o Porto Interior de Xianing, em Changsha, conhecendo os processos de desalfandegamento, o modelo de transporte multimodal ferrovia–hidrovia e os mecanismos de gestão empresarial, tendo afirmado que “a experiência do porto interior de Changsha é uma referência para Moçambique”.

O Presidente deslocou-se igualmente à aldeia de Banyan, província de Qinghai, onde conheceu de forma aprofundada a experiência chinesa na erradicação da pobreza e na revitalização rural em regiões remotas. Ficou profundamente impressionado com os avanços alcançados em matéria de proteção ecológica, energias limpas, redução da pobreza e desenvolvimento de indústrias características. Desde a observação de grandes projetos estratégicos até à análise da revitalização rural, das experiências industriais ao conceito de desenvolvimento verde, acredita-se que esta visita permitirá a Moçambique refletir de forma mais aprofundada sobre como transformar as suas vantagens de recursos em motores de desenvolvimento, impulsionando assim uma cooperação bilateral cada vez mais sólida e pragmática.

III. Notamos que os líderes dos dois países avaliaram positivamente os resultados frutíferos da cooperação pragmática. Pode apresentar a cooperação bilateral em diversos domínios?

Nos últimos anos, no âmbito da construção conjunta de alta qualidade da “Cinturão e Rota”, do Fórum de Cooperação China–África e do Fórum de Cooperação Económica e Comercial entre a China e os Países de Língua Portuguesa, a cooperação pragmática entre a China e Moçambique tem registado progressos constantes, promovendo eficazmente o desenvolvimento sócio-económico de Moçambique e beneficiando concretamente os povos dos dois países.

A China é um dos principais parceiros comerciais de Moçambique. O comércio bilateral tem crescido de forma contínua. Segundo dados das Alfândegas da China, em 2025 a China foi o terceiro maior parceiro comercial de Moçambique, com um volume total de 5,404 mil milhões de dólares, representando um aumento de 3,6% em relação ao ano anterior e mais do dobro face a 2020. As importações moçambicanas provenientes da China incluem sobretudo maquinaria, equipamentos elétricos, veículos e peças, plásticos e produtos siderúrgicos; as exportações para a China consistem principalmente em areias pesadas, gás natural, carvão, sésamo, sementes de girassol e pedras preciosas.

Durante o Fórum de Cooperação China–África, em Setembro de 2024, foram assinados protocolos relativos aos requisitos sanitários e fitossanitários para a exportação de castanha de caju, macadâmia e feijão-bóer de Moçambique para a China. Durante a visita do Presidente à China, foram ainda assinados o Protocolo sobre Requisitos de Inspeção e Quarentena para Produtos Aquáticos Selvagens, o Protocolo sobre os Requisitos Sanitários e Fitossanitários para a Exportação de Alfafa, o Protocolo de Inspeção e os Termos de Referência para o Mecanismo de Cooperação em matéria de Segurança de Alimentos para a Importação e Exportação para os países da Iniciativa Cinturão e Rota. A parte chinesa incentiva Moçambique a aproveitar o “canal verde” para produtos agrícolas africanos, estabelecer uma parceria de “alfândegas inteligentes” e expandir as exportações para o mercado chinês.

A cooperação agrícola tem sido sempre uma prioridade. A China estabeleceu em Moçambique o primeiro Centro de Demonstração de Tecnologia Agrícola em África e, ao longo de mais de uma década, enviou equipas de especialistas para promover técnicas agrícolas modernas. O projeto Wanbao constitui um dos maiores projetos de cultivo de arroz chineses na África, integrando produção, processamento, armazenamento e comercialização. O projeto já formou mais de 2.000 agricultores locais, elevando a produtividade de menos de 100 kg por Mu(uma unidade tradicional chinesa de medida de área,1 mu ≈ 0,0667 hectare) para 400–600 kg, contribuindo significativamente para a segurança alimentar e o desenvolvimento sustentável. Isto não só demonstra a aplicação bem-sucedida da tecnologia chinesa de arroz híbrido na África, como também constitui um importante apoio para que o continente africano alcance a segurança alimentar e o desenvolvimento sustentável. As empresas chinesas implementaram ainda projetos como a Fazenda de Amizade de Gaza, mostrando o vasto potencial da cooperação agrícola entre as duas partes. Durante a visita do Presidente à China, foram assinados documentos de cooperação incluindo a normalização agrícola, os quais irão impulsionar a implementação de projetos de zonas de demonstração de padronização agrícola e das pescas.

No futuro, as duas partes irão reforçar a cooperação ao longo de toda a cadeia de valor agrícola, incluindo produção, processamento, logística e armazenamento, bem como aprofundar a colaboração em melhoramento de sementes, mecanização, formação de quadros e infraestruturas de irrigação,ajudando Moçambique a realizar a autosuficiência alimentar.

A China é um parceiro fundamental na construção de infraestruturas em Moçambique.  A China tem apoiado, de forma consistente, o desenvolvimento das infraestruturas moçambicanas, tendo concedido assistência não reembolsável para a construção de mais de dez projetos completos, incluindo o Centro Cultural China–Moçambique, o Instituto Confúcio da Universidade Eduardo Mondlane(UEM) e o edifício da Faculdade de Artes de Comunicação da UEM, o Aeroporto de Xaixai, a Escola Politécnica de Gorongosa, o Estádio Nacional e o projeto Acesso Universal para Dez Mil Aldeias.

Ao mesmo tempo, através de empréstimos concessionais, apoiou a construção de mais de vinte grandes projetos, incluindo uma das maiores pontes suspensas de África — a Ponte Maputo–Katembe, a reconstrução do Cais de Pesca da Beira, a reabilitação e modernização integral da Estrada N6, a digitalização da rádio e televisão, a modernização das redes de telecomunicações móveis, a Estrada Circular de Maputo, a expansão do Aeroporto Internacional de Maputo e a fábrica de processamento agroindustrial do Vale do Zambeze.

Estes projetos tornaram-se obras emblemáticas de Moçambique, desempenhando um papel importante na promoção do desenvolvimento económico e na melhoria das condições do bem-estar do povo. No futuro, a China continuará a reforçar a articulação com as estratégias de desenvolvimento de Moçambique, promovendo a conectividade interna moçambicana.

Além disso, a China considera Moçambique como um dos países prioritários para a cooperação de investimento na África. Nos últimos anos, a China tornou-se uma das maiores fontes de investimento estrangeiro em Moçambique. Segundo estimativas não oficiais, até ao final de 2025, o estoque total de investimentos chineses em Moçambique ultrapassou os 9 mil milhões de dólares americanos.

Ambas as partes, orientadas pelo princípio de benefícios mútuos e ganhos compartilhados, têm promovido continuamente a cooperação nos setores de energia e recursos minerais, agricultura, materiais de construção, indústria transformadora e construção de infraestruturas. As empresas chinesas em Moçambique já criaram mais de 20 mil postos de trabalho diretos para a população local.

Atualmente, os principais projetos de investimento e cooperação da China em Moçambique incluem: o projeto de gás natural da Área 4 na região norte;exploração de gás natural dos cinco blocos offshore; o projeto de cimento Dugongo, na província de Maputo, e o projeto de cimento de Nacala, na província de Nampula, entre outros.

IV. A sua apresentação permite-nos sentir plenamente a contribuição da cooperação Moçambique–China para o desenvolvimento económico e social de Moçambique. Sabemos também que a cooperação entre os dois países desempenha um papel importante na promoção do bem-estar da população. Poderia dar alguns exemplos?

A China tem apoiado, de forma ativa e constante, o fortalecimento do sistema de saúde de Moçambique. Desde 1976, a parte chinesa enviou, sucessivamente, 26 equipas médicas a Moçambique, tendo também promovido a cooperação de apoio geminado entre o Hospital West China da Universidade de Sichuan e o Hospital Central de Maputo. Ao mesmo tempo que salvam vidas e tratam doentes, estas equipas ajudam Moçambique a formar quadros técnicos na área da saúde, protegendo a saúde do povo moçambicano com dedicação e competência médica. Este ano assinala o 50º aniversário da Equipa Médica Chinesa em Moçambique, ocasião em que os dois países irão organizar conjuntamente uma série de atividades comemorativas. A parte chinesa apoiou ainda a construção de um bloco pediátrico no Hospital Central da Beira, na província de Sofala, com uma área total de construção de cerca de 4.000 metros quadrados e 168 camas. Em Abril de 2025, a China e Moçambique assinaram oficialmente o acordo de implementação do projeto do Centro Nacional de Cirurgia de Moçambique. O projeto prevê a construção, no Hospital Central de Maputo, de um novo edifício cirúrgico com 475 camas, que, uma vez concluído, se tornará uma das maiores infraestruturas de saúde do país. Atualmente, o projeto avança de forma satisfatória. Durante a visita do Presidente Daniel Francisco Chapo à China, os dois países assinaram documentos de cooperação na área da saúde, incluindo a promoção da construção conjunta de um Centro Médico Conjunto de Trauma. Continuaremos também a reforçar a cooperação em áreas como construção de laboratórios, prevenção e controlo de doenças infecciosas, indústria farmacêutica, vacinas e medicina tradicional, tornando ainda mais brilhante esta marca de excelência da cooperação sanitária China–Moçambique.

A China tem vindo a reforçar continuamente a cooperação com Moçambique no domínio dos recursos humanos. Fiel ao princípio de que “é melhor ensinar a pescar do que dar o peixe”, a China atribui grande importância ao reforço de capacidades e à formação de talentos. Por meio de bolsas de estudo governamentais, programas de formação académica e cursos de capacitação bilaterais e multilaterais, a China já formou diretamente mais de 6.000 quadros moçambicanos em diversos domínios. Estas formações abrangem áreas como governação pública, reforço da capacidade administrativa, justiça, educação, energia, transportes e comunicações, saúde, agricultura, ambiente, redução da pobreza, comunicação pública e gestão empresarial. Durante a visita do Presidente Daniel Francisco Chapo à China, os dois países assinaram documentos nos termos dos quais o Governo chinês continuará, em 2026, a disponibilizar a Moçambique vagas em seminários e programas de formação bilaterais e multilaterais. Além disso, a parte chinesa atribui grande importância à cooperação com Moçambique na formação técnico-profissional, tendo apoiado a construção da Escola Técnico-Profissional da província de Nampula e da Escola Técnico-Profissional da província de Sofala. Ficamos satisfeitos em ver que os talentos formados pelos dois países, através de diversas modalidades, se tornaram uma nova força na promoção do desenvolvimento económico e social de Moçambique e no aprofundamento das relações China–Moçambique.

A China prestou, por várias vezes, assistência humanitária de emergência a Moçambique. Em 2023 e 2024, a China concedeu, de forma consecutiva, assistência alimentar de emergência a Moçambique, contribuindo eficazmente para aliviar a crise alimentar no país. A China também prestou assistência humanitária de emergência às populações moçambicanas afetadas por ciclones tropicais, ajudando-as na reconstrução das suas casas. No início de 2026, após a ocorrência de cheias em Moçambique, o Governo chinês concedeu ao país uma assistência financeira de emergência no valor de 2 milhões de dólares norte-americanos, destinada a apoiar o Governo moçambicano nas operações de socorro nas zonas afetadas. Além disso, a Câmara de Comércio da China em Moçambique, empresas chinesas, a Equipa Médica Chinesa e o Grupo de Especialistas Agrícolas da China em Moçambique forneceram, de imediato, materiais de emergência, demonstrando a profunda amizade entre os povos da China e de Moçambique.

V. Referiu mecanismos e plataformas como a Iniciativa “Cinturão e Rota”, o Fórum de Cooperação China–África, bem como a política de tarifa zero. Como poderá Moçambique beneficiar melhor dessas oportunidades?

Moçambique é um importante parceiro da China na construção conjunta da Iniciativa “Cinturão e Rota”. Atualmente, a China e Moçambique estão a acelerar a implementação dos resultados da Cimeira de Beijing do Fórum de Cooperação China–África e a promover conjuntamente a materialização das “Dez Ações de Parceria” em Moçambique. Durante a visita do Presidente Daniel Francisco Chapo à China, os dois países assinaram o Acordo-Quadro de Parceria Económica para o Desenvolvimento Compartilhado, proporcionando uma garantia institucional de longo prazo, estável e previsível para a cooperação bilateral em comércio e investimento.

Gostaria, nesta ocasião, de destacar a política de tarifa zero. No processo de contínua expansão da abertura de alto nível, a China tem colocado sempre África numa posição especial e prioritária. A partir de 1 de Dezembro de 2024, a China passou a aplicar, em primeiro lugar, tarifa zero a 100% das linhas tarifárias dos produtos provenientes de 33 países africanos menos desenvolvidos, incluindo Moçambique.

Desde a implementação da tarifa zero para os países menos desenvolvidos, o crescimento das exportações destes 33 países africanos para a China tem sido muito superior ao crescimento global das exportações africanas para a China, impulsionando o volume do comércio China–África para mais de 340 mil milhões de dólares norte-americanos em 2025. No primeiro trimestre deste ano, as importações chinesas provenientes de África aumentaram 14,6% em termos homólogos. Mesmo em Março, num contexto em que as exportações africanas e o comércio internacional foram afetados pela guerra no Irão, a política de tarifa zero desempenhou um forte papel de tração.

A partir de 1 de Maio deste ano, a política de tarifa zero passou a abranger plenamente os 53 países africanos que mantêm relações diplomáticas com a China. A parte chinesa tem ainda ampliado o acesso dos produtos africanos ao mercado chinês, através de medidas como a atualização do “canal verde”. Num contexto internacional marcado pelo aumento do unilateralismo e do protecionismo, a política de tarifa zero demonstra a responsabilidade da China enquanto grande país e a sua firme determinação em ampliar a abertura de alto nível. A tarifa zero constitui um conjunto de medidas favoráveis a África, abrangendo oportunidades nos domínios da indústria, comércio e investimento.

A China incentiva Moçambique a aproveitar plenamente a política de tarifa zero, promovendo a entrada de mais produtos moçambicanos de qualidade no mercado chinês. Encorajamos também Moçambique a utilizar bem plataformas como a Exposição Internacional de Importação da China e a Feira Internacional de Investimento e Comércio da China, a fim de identificar oportunidades de cooperação, articular o tratamento de tarifa zero com as suas próprias necessidades de expansão das exportações, atração de investimento e criação de emprego, ampliar a escala do comércio e do investimento bilaterais e promover concretamente o bem-estar da população.

Gostaria ainda de apresentar brevemente a Exposição Internacional de Importação da China e a Feira Internacional de Investimento e Comércio da China, para conhecimento dos amigos interessados de diversos setores.

A Exposição Internacional de Importação da China, cujo site oficial é [www.ciie.org], será realizada em Shanghai, de 5 a 10 de Novembro de 2026, na sua nona edição. Com o objetivo de promover a construção de uma economia mundial aberta e apoiar a globalização económica, a China realiza esta exposição como a primeira grande feira nacional do mundo dedicada ao tema da importação. A CIIE constitui uma importante iniciativa da China para abrir ativamente ao mundo o seu vasto mercado interno. Tendo como eixo central a promoção do livre comércio internacional, a CIIE reduz eficazmente os custos das transações comerciais internacionais, promove a facilitação do investimento entre os países, a prosperidade do comércio, o desenvolvimento tecnológico e a circulação de pessoas, impulsiona a globalização económica e beneficia os povos de todo o mundo. Não se trata apenas de uma janela para a China apresentar produtos de qualidade, mas também de uma plataforma aberta para o mundo inteiro.

A Feira Internacional de Investimento e Comércio da China, cujo site oficial é [www.chinafair.org.cn], será realizada pelo Governo chinês em Xiamen, de 8 a 11 de Setembro de 2026, na sua 26ª edição, com o objetivo de promover a cooperação internacional em investimento e comércio. A feira dedica-se à criação de três grandes plataformas: promoção do investimento bidirecional, divulgação de informações autorizadas e debate sobre tendências de investimento, sendo uma das feiras internacionais de investimento mais influentes do mundo. Nos últimos anos, cada edição tem atraído representantes de departamentos governamentais, agências oficiais de promoção de investimento, câmaras de comércio e associações empresariais, empresas multinacionais e outras instituições de cerca de 100 países e regiões, bem como cerca de 5.000 empresas nacionais e estrangeiras e mais de 50.000 profissionais. A parte chinesa convida cordialmente a parte moçambicana a participar. Caso não seja possível participar presencialmente, a presente edição da feira prevê disponibilizar oportunidades de promoção em vídeo para os países interessados, sendo os respetivos vídeos exibidos em áreas específicas do recinto da exposição aos participantes.

VI. Agradecemos a sua apresentação. Por fim, centremo-nos nas questões internacionais. O mundo atual atravessa uma fase de turbulência e transformação crescentes, com desafios globais a surgir sucessivamente. Considera que o desenvolvimento das relações China–África e China–Moçambique enfrenta desafios? Como devemos encará-los e responder-lhes?

Sim. Como referiu, o mundo atual atravessa uma fase de turbulência e transformação crescentes, com desafios globais a surgir sucessivamente. Neste contexto, as relações China–África e China–Moçambique são inevitavelmente afetadas por esses fatores. Contudo, por detrás dos desafios existem, muitas vezes, oportunidades ainda maiores de desenvolvimento.

Este ano assinala o 70º aniversário do início das relações diplomáticas entre a China e África. Ao longo de 70 anos, independentemente das mudanças da conjuntura internacional, ambas as partes têm permanecido lado a lado, enfrentando dificuldades em conjunto e avançando de mãos dadas. O Sul Global, representado pela China e pela África, tem sido sempre uma força de justiça num mundo marcado por turbulências e transformações.

O Presidente Xi Jinping atribui grande importância às relações China–África. Propôs os princípios de sinceridade, resultados reais, amizade e boa-fé, bem como o conceito correto de justiça e interesses. Na Cimeira de Beijing do Fórum de Cooperação China–África, em 2024, anunciou a elevação do posicionamento geral das relações China–África para uma Comunidade China–África com Futuro Compartilhado para Todos os Tempos na Nova Era, apresentou seis propostas para a China e África promoverem conjuntamente a modernização e anunciou as “Dez Ações de Parceria”. As relações China–África entraram no melhor período da sua história.

Foi também durante essa Cimeira que o Presidente Xi Jinping e os líderes africanos decidiram conjuntamente realizar o “Ano dos Intercâmbios Interpessoais China–África” por ocasião do 70º aniversário do início das relações diplomáticas entre a China e África. A China e os países africanos planeiam organizar, ao longo do ano, mais de 600 atividades de intercâmbio, com o objetivo de, a partir de um novo ponto de partida histórico, aprofundar ainda mais a amizade China–África no coração dos povos. No âmbito do quadro de cooperação do Fórum de Cooperação China–África, a China já implementou mais de 270 mil milhões de yuan em apoio financeiro a África, e 700 projetos “pequenos mas bonitos” avançam de forma satisfatória.

Podemos constatar que, quando certos países usam as tarifas como arma e recorrem à hegemonia e à intimidação, a China aplica tarifa zero a África e defende o benefício mútuo e os ganhos compartilhados. Quando certos países lançam estratégias globais de saúde assentes na prioridade nacional, procurando interferir, através da cooperação sanitária, na soberania, nos recursos e na segurança dos dados de outros países, a China propõe, no âmbito do Fórum de Cooperação China–África, a “Ação de Parceria para a Saúde”, promove a construção conjunta de centros médicos China–África e envia 2.000 profissionais médicos para os países africanos. Quando certos países erguem “pequenos pátios com muros altos”, tentando monopolizar determinadas tecnologias e áreas de investigação, a China propõe, no âmbito do Fórum de Cooperação China–África, ações de parceria para o intercâmbio e aprendizagem mútua entre civilizações e para os intercâmbios interpessoais, prevendo a criação de 25 centros de estudos China–África.

Quem são os verdadeiros amigos e verdadeiros parceiros? Acredito que os irmãos africanos veem isso com toda a clareza. O que é verdadeira democracia e verdadeira justiça? Acredito que a comunidade internacional saberá formar o seu justo julgamento. A China e Moçambique têm mantido sempre uma estreita coordenação e cooperação nos assuntos multilaterais internacionais, tornando-se um exemplo da amizade China–África e da cooperação Sul-Sul. Durante o encontro com o Presidente Daniel Francisco Chapo, o Presidente Xi Jinping sublinhou que, perante uma conjuntura internacional marcada por mudanças e turbulências, a China e Moçambique devem continuar a reforçar a coordenação e cooperação no âmbito das Nações Unidas e de outras instituições, defender conjuntamente uma multipolarização mundial igualitária e ordenada e uma globalização económica universalmente benéfica e inclusiva, bem como salvaguardar conjuntamente a equidade e a justiça internacionais. O Presidente Daniel Francisco Chapo afirmou que o conceito de Comunidade com Futuro Compartilhado para a Humanidade, as quatro grandes Iniciativas Globais e a Iniciativa “Cinturão e Rota”, propostos pelo Presidente Xi Jinping, contribuíram de forma importante para a promoção da paz, estabilidade e desenvolvimento do mundo. Moçambique está disposto a trabalhar com a China para implementar essas iniciativas e tornar o mundo um lugar melhor.

No início deste ano, o Ministro dos Negócios Estrangeiros Wang Yi visitou África, dando continuidade à tradição de 36 anos consecutivos em que o Ministro dos Negócios Estrangeiros da China escolhe África como destino da sua primeira visita ao exterior no início do ano. Isto demonstra a continuidade da amizade China–África e a natureza duradoura e estável da política chinesa para África. A China reafirma que, independentemente das mudanças da conjuntura internacional e do nível de desenvolvimento que venha a alcançar, colocará sempre os parceiros africanos, incluindo Moçambique, numa posição especial e prioritária. A China está disposta a continuar a trabalhar com todos os países e povos do mundo que prosseguem a paz, o desenvolvimento, a equidade, a justiça, a democracia e a liberdade, a fim de defender conjuntamente as normas básicas das relações internacionais, salvaguardar os interesses comuns do Sul Global e dar novas contribuições para o desenvolvimento e progresso de toda a humanidade.


Embaixada da República Popular da China na República de Moçambique